Uma das cirurgias plásticas mais procuradas é a mamoplastia. Inicialmente procurada apenas por quem queria diminuir o volume das mamas, hoje em dia tem seu lugar também no desejo de quem quer levantar as mamas. Pode ser por diversos motivos: após uma gravidez, uma perda de peso, o peso da idade e até mesmo por uma questão inerente a cada um que é a questão genética.

As mulheres na menopausa sofrem importante alteração das mamas, que podem involuir (diminuir) ou ainda aumentar bastante devido à grande substituição das glândulas mamárias por gordura. As mamas perdem a consistência, ficando mais moles e pesadas. As pacientes buscam solução cirúrgica, mas esbarram no fato que normalmente as cicatrizes serão inevitáveis. Estas cicatrizes terão melhor qualidade dependendo de características hereditárias, cicatrização adequada, observação de repouso relativo em relação à movimentação dos braços e do seguimento à risca do que for orientado pelo médico no pós-operatório. As mulheres mais jovens apresentam mamas cujo tecido é mais firme, pois apresentam mais tecido glandular. Com a idade esse tecido vai sendo substituído por gordura e assim, as pacientes com mais idade apresentam mamas que são mais macias à palpação e que tendem a ser mais flácidas. Quanto mais gordurosas forem as mamas, mais suscetíveis a perderem o bom resultado cirúrgico se a paciente apresentar variações de peso importantes. Ainda em relação à idade, existem adolescentes com mamas muito grandes, mas precisamos aguardar que suas funções hormonais estejam equilibradas antes de submetê-las à redução das mamas.

Uma regra geral é aguardar pelo menos 4 anos após o início da menstruação, desde que já estejam apresentando ciclos regulares. Com a indicação do ginecologista ou mastologista, podemos realizar essas reduções aos 16 anos. Na maioria das vezes, procuramos aguardar até 18 anos. Existem diversas técnicas para a redução mamária ou para a correção da queda e flacidez. A escolha dependerá do cirurgião e da paciente. Quanto menor ela desejar sua mama, maior será a cicatriz resultante. Assim é que as famosas cicatrizes em “T” invertido (ou em âncora) não estão em desuso, muito pelo contrário, são usadas para mamas muito grandes e pesadas ou muito caídas (ptosadas). Gosto de utilizar as técnicas desenvolvidas pelo Professor Pitanguy, tanto a chamada “Clássica” quanto a técnica vertical ou Rombóide, por acreditar que estas darão o melhor resultado com a menor perda de função, ou seja, elas são técnicas que lesam menos tecidos e tem menor chance de prejudicar a lactação. Aliás, é um fato importante não impedir a amamentação, mas as mamas poderão sofrer mudanças de forma dependendo da glândula mamária voltar ao seu tamanho anterior, continuar aumentada ou até reduzir de tamanho após o aleitamento.

Além disso, a chance de haver mudança na forma mamária será maior se houver grande variação do peso da paciente, pois há grávidas que ganham bem mais que os 9 a 12 kg esperados, chegando a ganhar mais de 20 kg. Em caso de nova gravidez, quando se tratar de mamas muito grandes, que foram reduzidas acentuadamente, a lactação poderá ficar prejudicada. Em casos de pequenas e médias reduções a lactação geralmente é preservada. Dependerá também de um evento muito comum que é a diferença de tamanho e da distribuição do tecido mamário entre as duas mamas antes da cirurgia. Quase sempre um dos seios é um pouco maior que o outro e um pouco mais pendente. Quanto maior for a diferença entre eles maior será a diferença das cicatrizes e maior será a dificuldade da cirurgia plástica, pois sempre procuramos deixá-las o mais parecidas possível.

No pré-operatório, além dos exames que são pedidos para qualquer cirurgia, sempre pedimos avaliação do ginecologista, para termos segurança de que a paciente não apresenta patologias que necessitem tratamento específico, como nódulos, cistos e até descartar presença de tumores malignos. As cicatrizes finais dependerão do tamanho das mamas, da relação peso/altura da paciente, se há tecido mamário prolongando-se para as axilas (às vezes continuando-se com depósitos de gordura das costas), pois esses fatores determinarão qual técnica cirúrgica será a mais adequada, além disso dependerá também da paciente não apresentar transtornos de cicatrização (como quelóides) e seguir as orientações de pós-operatório. A duração da cirurgia varia de 2 a 4 horas, com internação de 24 horas. O retorno aos exercícios físicos normalmente após 60 dias para preservar a qualidade da cicatriz. Os cuidados pós-operatórios incluem restrição da movimentação ampla dos braços por pelo menos 15 dias, evitar dirigir por 30 dias, aguardar 60 dias para exercícios vigorosos, utilizar sutiã apropriado por 6 meses até que o edema (inchaço) regrida totalmente e verifique-se se há necessidade de algum complemento.