A busca da saúde perdida numa obesidade pode levar a pessoa a optar por uma cirurgia chamada bariátrica. São aquelas operações utilizadas nos dias de hoje para que grandes obesos, com a saúde extremamente prejudicada, possam viver com maior qualidade de vida e por mais tempo. A operação traz uma nova condição ao ex-gordinho e deve ser encarada como a última tentativa daquele indivíduo que já tentou de várias maneiras manter o seu peso, todas sem sucesso. Após um período que readaptação dos tecidos, após a cirurgia, que leva cerca de 18 meses, esse paciente estabiliza o peso e a partir dessa estabilização é que o cirurgião plástico vai poder atuar. Temos que dar um novo formato ao corpo. O problema maior é que existe muita pele flácida e sem qualidade, muitas estrias e uma consistência cutânea frouxa. O que fazer? A primeira fase, das mais difíceis, é a conscientização de que ele nunca vai ter um corpo de um Adônis, de um deus grego ou de uma miss ou de uma modelo. As cicatrizes, apesar de tentarmos escondê-las nas pregas naturais do corpo, são sempre grandes e muitas das vezes de baixa qualidade, em virtude de um alto grau de resposta inflamatória que este paciente tem, podendo chegar a cicatrizes inestéticas como um quelóide. Por mais que o paciente já tenha recuperado grande parte de sua saúde, como por exemplo, curado uma hipertensão arterial ou até mesmo uma condição diabética, devem ser feitas varias cirurgias para devolver a forma corporal a esse indivíduo, para que ele possa novamente estar inserido num contexto social, poder vestir uma blusa ou uma calça sem precisar ir a casas de produtos especiais ou a uma costureira. A imagem recuperada no espelho leva essa pessoa a uma elevação tão drástica na auto-estima que um acompanhamento psicológico é sempre importante e deve estar sempre presente. Mas como nem sempre tudo são flores, a mudança comportamental em relação à alimentação, a qual deve ser muito frisada e levada à risca, é de suma importância. Ele tem que deixar de ter o apetite “gordo”, se enquadrar num novo perfil de ingestão calórica senão novamente haverá um ganho de peso. As cirurgias plásticas são um complemento do reenquadramento desse indivíduo a sociedade e são várias, sendo que muitas delas terão de ser refeitas ou complementadas ou retocadas. As técnicas cirúrgicas utilizadas vão variar com o caso mas na sua maioria são combinadas, ou seja, adaptações de uma técnica somada a outra técnica, visando o melhor contorno com a menor cicatriz possível.

Abdominoplastia no Ex-Obeso

Na maioria dos casos, o abdome é um dos primeiros a serem operados, pois está na frente do espelho, todos os dias. É importante explicar sempre onde irão ficar as cicatrizes. Há uma alteração na estrutura geral da parede abdominal e que terá de ser corrigida visando até mesmo uma mudança drástica da postura do indivíduo.

A técnica mais utilizada é chamada “Abdome em Âncora”. É chamada assim pois a cicatriz resultante será uma mediana associada a uma horizontal na linha do púbis. Ela é capaz de tratar o excesso cutâneo tanto verticalmente quanto horizontalmente e permite também o tratamento da musculatura abdominal.

Outras técnicas podem ser empregadas dependendo do caso e para isso temos que avaliar os benefícios de cada técnica para cada caso.

Dermolipectomia Braquial no Ex-Obeso

Outra parte do corpo do ex-gordinho que causa uma procura ao cirurgião plástico são os braços.

Como em todas as outras áreas do corpo, o aumento do peso e do volume corporal gera um depósito de pele que vai ser distribuído pelo corpo. Esta arquitetura modificada se torna mais óbvia durante o movimento, deformando o contorno estético dos braços..

Quando se planeja o rejuvenescimento dos braços, a análise cuidadosa dos tecidos e das  expectativas do paciente é soberana. A estratégia de tratamento deve ser individualizada devido às alterações serem variáveis em cada um. Pacientes candidatos à braquioplastia devem ser amplamente avisados sobre a possibilidade de melhora e especialmente sobre as limitações do procedimento indicado para seu caso. Muitas vezes o procedimento resultará em melhora do contorno a expensas de uma cicatriz visível e muitas vezes inestética.

 Dermolipectomia da Coxa no Ex-Obeso

Após grandes emagrecimentos ou alternância de períodos de ganho e perda de peso, é comum que ocorra um abaulamento flácido da porção interna das coxas. Isto se deve ao excesso de pele formado pelo estiramento desta durante o período de sobrepeso. Devido ser a pele interna da coxa relativamente fina, ela não contrai o suficiente após a perda ponderal, acarretando o excesso de pele local. A dermolipectomia de coxas visa retirar o excesso de pele, proporcionando um contorno da coxa mais natural e menos flácido.

A anestesia pode ser a peridural ou a geral e a internação hospitalar dura geralmente entre 24 e 48horas, dependendo da recuperação.

No pós-operatório, o paciente deve evitar o excesso de movimentos, principalmente abrir muito as pernas, visto que a cicatriz se encontra próximo à virilha e será forçada nestes casos. A tração natural exercida na cicatriz pelo andar e pela gravidade leva comumente a cicatriz a apresentar um alargamento nos primeiros meses. Quanto menor for a tração sobre a cicatriz, menor será o seu alargamento.

O resultado definitivo da dermolipectomia é atingido após 6 meses da cirurgia, período necessário para a acomodação dos tecidos e amadurecimento da cicatriz.